segunda-feira, 18 de setembro de 2017

"Dêixis" - Formação de professores

A Professora Doutora Ana Cristina Macário Lopes, docente da Fac. Letras da Universidade de Coimbra, da área de Linguística (Semântica e Pragmática), realizou uma ação de formação de curta duração para os professores de Português do Agrupamento de Escolas Figueira Norte, no dia 13 de setembro, subordinada ao tema “Dêixis”.

A disponibilidade da Professora Doutora Ana Cristina para dinamizar na escola Cristina Torres ações de formação já há cinco anos consecutivos tem sido uma mais-valia para os professores de Português, na medida em que tem contribuído para incrementar a sua competência científico-pedagógica. A certificação pelo CFAE Beira Mar das mais recentes formações valorizou a iniciativa.

Num ambiente de grande camaradagem, este ano a formação terminou com um almoço-convívio no restaurante Marégrafo, entre bons petiscos e uma bela vista da nossa cidade.




2017/2018

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Inês Mendes

O Clube de Jornalismo encerra as suas Conversas de Café com mais uma interessante entrevista.

CJ: Pedimos-lhe que se apresente.

Inês Mendes: Tenho um nome muito comprido, mas aqui na escola sou Maria Inês Mendes. Tenho 57 anos, sou casada e tenho três filhos. Trabalho nesta escola há 27 anos. Sou professora de Ciências Naturais, de Biologia e Geologia. Atualmente sou Delegada do grupo de professores de Ciências.

CJ: Nós sabemos que a professora é das mais queridas pelos alunos. Como é que explica esse afeto que os alunos sentem por si?

Inês Mendes: Fico contente por saber isso. Eu acho que me dou bem com os alunos de uma maneira geral, sobretudo com os mais velhos. Com os mais novos há aquela questão da disciplina que obriga a alguma reserva, mas quando eles já sabem como estar na aula, tudo fica mais fácil. Eu gosto de dar aulas e preocupo-me com os meus alunos. Vejo-os ali à minha frente, como pessoas, e tenho consciência de que a minha obrigação não é só ensinar, é ajudá-los também a que tenham sucesso. Aliás, o sucesso deles é também o meu sucesso. 

Para além disso, não sou uma pessoa muito rígida, procuro que eles percebam que deve haver um clima amigável na aula, mas que quando eu disser “basta” é basta. Esse é o clima em que eu gosto de trabalhar.

CJ: Como sabemos, a professora ensina Biologia, mas o que é que os alunos podem aprender mais consigo?

Inês Mendes: Biologia e Geologia espero que eles aprendam. Eu gosto muito de interdisciplinaridade, portanto, sempre que posso fazer uma ligação com outras áreas do conhecimento, faço. Por exemplo, quando estamos a dar o sistema nervoso, apresento um poema que tenha a ver com isso. Gosto de contextualizar a vida dos cientistas para além da sua obra, e os alunos aprendem com isso. Também gosto de partilhar gostos pessoais, filmes, livros.

CJ: Ao longo deste ano, nestas nossas Conversas de Café, a maior parte dos professores manifestou-se desmotivada com a profissão. A professora também se sente assim?

Inês Mendes: Não é bem com a profissão, porque eu gosto de dar aulas. É mais com algumas áreas da profissão. A nossa profissão está muito burocratizada, há muitas reuniões, uma grande perda de tempo útil com trabalho que não é propriamente o trabalho de um professor, que é estar com os alunos e ensiná-los. É muito trabalho burocrático, muitas folhas para preencher, muitos recados para os pais que têm de ser feitos de determinada maneira, muitas justificações para atas infindáveis e coisas desse género, coisas que desgastam. Essa é uma das partes desagradáveis da profissão, a outra é corrigir testes. Não gosto.

CJ: É com isso que nos leva à próxima pergunta, se pudesse mudar a escola, ou até mesmo a educação, por onde é que começaria?

Inês Mendes: Mudaria logo os programas. Eu acho que os programas são um absurdo. Mudava também a avaliação do terceiro ciclo, porque me parece que há demasiado facilitismo. Os alunos aprendem que passam sem esforço, sem trabalho, e é o sistema que lhes diz isso. Quando chegam ao décimo ano, apanham um choque, porque o grau de exigência é muito maior e eles não estão preparados. A culpa não é só deles, é também do sistema. Portanto, devíamos tornar esses dois ciclos um pouco mais equilibrados, não facilitar tanto no terceiro ciclo e não ser tão exigente no secundário, para haver maior harmonia. Quanto aos programas: no terceiro ciclo a situação não é tão problemática, mas no secundário os programas são tão grandes que há pouco tempo para trabalhar competências. Como as matérias já estão todas disponíveis nos suportes digitais, seria muito mais importante ensinar o aluno a pesquisar e tratar cinco assuntos em vez de quinze, aprofundando, procurando novas descobertas. Apesar de estarmos no séc. XXI, parece que estamos a dar aulas no século XIX ou XX, pois o aluno nem pode utilizar o telemóvel. Não pode, mas deveria poder, porque o telemóvel é um computador. Gostava muito de uma escola diferente.

CJ: A professora é da área das Ciências. Como é que vê o desinteresse social e político pela área das Humanidades?

Inês Mendes: Nas Humanidades ensina-se a pensar e a questionar, como, por exemplo, em Filosofia. Houve uma altura em que a Filosofia saiu dos currículos, o que me parece um absurdo. O ideal seria uma pessoa poder formar-se na área de que gosta e que quer e não naquela que dá emprego. É um problema dos nossos dias. As pessoas não são estimuladas a ir para Humanidades, porque há um problema de empregabilidade, o que é uma pena; o conhecimento é mais do que um emprego. A sociedade deveria resolver essa dicotomia.

CJ: Pensa que os alunos de hoje em dia estão menos preparados do que os da sua geração?

Inês Mendes: Não, claro que não. Penso é que têm um problema de estímulos a mais e depois é difícil conseguirem concentrar-se; há tanto estímulo, tanta oferta que ficam um bocado dispersos. Mas é porque têm muito mais informação ao seu dispor que estão mais bem preparados do que nós estávamos. As fontes do nosso conhecimento eram o professor e as bibliotecas, mais nada. Vocês têm tudo para serem excelentes alunos. O problema é que usam tudo o que têm ao dispor só para o lazer e não para o trabalho. Daí eu defender que a escola podia ensinar, em tempo de aula, a rentabilizar as novas tecnologias.

CJ: Nós estamos pouco motivados para esse aspeto pedagógico da tecnologia. Passando para a parte mais ligeira da entrevista, pode dizer-nos aquilo que faz nos seus tempos livres?

Inês Mendes: Do que eu gosto mais é de estar com os meus amigos. Aqui na escola tenho alguns amigos, e isso é muito bom porque nós passamos muito tempo na escola. Adoro ler, estou sempre a ler, não me lembro de uma altura em que não tenha tido sempre um livro comigo. Adoro cinema, gosto de música. Tenho muito com que me entreter.

CJ: O que é para si um mau fim de semana? 

Inês Mendes: Não poder fazer o que me apetece, por exemplo, estar a ler um livro sossegada. Ter de corrigir testes.

CJ: Visto que a professora gosta tanto de filmes, séries e música, pode sugerir-nos um filme, uma música e um livro?

Inês Mendes: A música pode ser a que ganhou o festival da canção, é muito bonita. Um dos últimos livros que li é de um autor chamado Julian Barnes, chama-se O Ruído do Tempo; é sobre um compositor russo, Shostakovich, que viveu nos tempos de Estaline. O livro fala da relação entre o artista e a pressão política de que é vítima, essa relação entre a arte e o poder. É muito interessante. Um filme, O Visitante, por exemplo, também tem a ver com problemas dos nossos dias, a emigração. A ação passa-se nos Estados Unidos, é sobre um emigrante ilegal que ocupa a casa de um professor e depois estabelece-se uma relação muito engraçada entre eles.

CJ: Agradecemos esta entrevista e, para terminar, pedimos-lhe que nos deixe uma anedota.

Inês Mendes: Duas fotocopiadoras estão a conversar. Uma diz à outra: esta cópia é tua ou é impressão minha?

Ana Alves 


Entrega de prémios

No dia 6 de junho de 2017, às duas e meia, decorreu a entrega de prémios do concurso “Bem dizer, bem escrever”, na sala 2 do bloco B da Escola Cristina Torres. Esta atividade foi desenvolvida ao longo do ano nas aulas de Português de todas as turmas do 3ºCiclo do Ensino Básico do Agrupamento.
A cerimónia, apresentada pelas professoras de Português, Teresa Seco e Margarida Monteiro, contou com a colaboração dos alunos do 7º ano, que disseram vários poemas, individualmente e em grupo. Também teve a presença de dois alunos do secundário. Um cantou uma música brasileira e o outro tocou saxofone. A sala estava completamente cheia, com alunos, com pais e com professores. Para concluir, foram entregues prémios a todos os alunos vencedores de cada turma do Agrupamento: 7º, 8º e 9º anos.
Estas iniciativas são interessantes, pois para além de contribuírem para estimular o espírito de grupo, fazem com que possamos melhorar os nossos conhecimentos de Português.

Francisco Oliveira, Tomás Camarinho, Leonardo Gil, Francisco Rodrigues, 
Beatriz Oliveira, Rita Neves, do 7º D

Concurso Saber Português 2016-2017

No dia 6 de junho de 2017, realizou-se na Escola Cristina Torres a sétima edição do Concurso Saber Português, destinado a alunos do 9º ano do agrupamento Figueira Norte.


Os representantes de cada turma foram os seguintes: turma A – Ana Reis, Eduardo Santiago, Mariana Freitas; turma B – Catarina Caçoete, João Veríssimo, Bárbara Carvalho; turma C – Catarina Mesquita, Rita Pinto, Tiago Lé; turma D – Daniela Cravo, Diogo José Nunes, Rodrigo Alexandre Vicente; turma E - Ana Matias, Carolina Ferreira, Jéssica Cação; turma F – Beatriz Freitas, Mariana Silva, Marta Marques; turma G - Elsa Pires, Inês Figueiredo, Vera Mendes.


A equipa vencedora foi a turma E; em segundo lugar ficou a turma C e em terceiro a turma B. Estão de parabéns todas as equipas, porque participaram na atividade com entusiasmo e desejo de aprender. Agradecemos a colaboração dos professores de Português que lecionam o 9º ano e a disponibilidade dos alunos do 11º B e do 11ºC que participaram enquanto júri.

Para que a comunicação seja aperfeiçoada, a língua portuguesa deverá ser cada vez mais bem tratada.


P’lo Projeto Saber Português,
                                                     Margarida Monteiro
Teresa Seco


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Inês Mendes